Chester Bennington. Mais de um
mês tentando descrever o que você foi e significou para o mundo. Mais de um mês
tentando entender o que aconteceu. Mais de um mês tentando entender como o
mundo da música vai prosseguir sem você (pelo menos o meu mundo).
Diversas são as formas de dizer,
celebrar e relembrar uma das maiores vozes que o rock’n’roll já pode ver. E
isso se dá não apenas por ser a voz de uma geração, mas pela sua potencia
vocal. Era de se admirar como essa voz que ao mesmo tempo era poderosa e
buscava livrar-se de todos os demônios, também era doce, oferecendo gentileza e
conforto.
Chester era de um carisma
incrível. Não é difícil achar vários depoimentos de pessoas que tinham contato
com ele, e que o conheciam, dizendo o quão amável e principalmente carinhoso
ele era. Sua principal característica, o sorriso, estava ali, sempre presente.
Sempre fazendo com que todas as pessoas sentissem próximas a ele, parte do seu
mundo.
Porém, a sua vida não foi só de
alegrias, diversos acontecimentos que deixaram marcas profundas em sua alma,
estes mesmos que o motivavam a escrever as letras que salvaram muitas pessoas e
deram a estas mesmas pessoas esperança a continuar vivendo, continuar sonhando
com uma vida melhor.
Estar ouvindo Linkin Park há 14
anos me faz sentir como “parte da família”, afinal, acompanhar durante esse
tempo todo, o caminho que percorreram, o sucesso que conseguiram é como se
fosse um sucesso compartilhado com todos seus soldiers.
Ver isso arrancado abruptamente
da vida desses milhões de fãs é algo profundo e desesperador. Afinal, a pessoa
que inspirou muitas pessoas a terem suas próprias bandas, a crer em si, ter
esperança, não tinha esperanças para si, não conseguiu lutar contra seus
próprios demônios.
Porém, o legado que Chester
deixou é incrível, marcante e principalmente inspirador. Ele jamais vai ser
esquecido, seu legado irá sobreviver. Com toda certeza ele é a voz de uma
geração inteira. Uma geração que estava adormecida acordou com a sua voz. Uma
geração que acolheu o trabalho do Linkin Park e aceitou a revolução que estava
acontecendo naquele momento.
O que muita gente deixou passar
despercebido nesses últimos momentos era o peso que ele carregava, mas que
estava velado, pelas melodias leves que o One
More Light traz. Afinal, conciliar letra pesada, com instrumental pesado,
só aumentaria o tamanho da pressão que já estava ali alojada.
“But nobody can save me now, I’m holding up a light.
I’m chasing out the darkness inside.
‘Cause nobody can save me”.
(Nobody Can Save Me)
“I don’t like my mind right now, stacking up problems that are so
unnecessary.
Wish that I could slow things down.
I wanna let go, but there’s comfort in the
panic”.
(Heavy)
“Sharp edges have consequences.
I guess that I had to find out for myself.
Sharp edges have consequences, now, every scar
is a story I can tell”.
(Sharp Edges)
Se vê claramente a sutileza do
desespero, dos demônios tão bem disfarçados em acordes leves e simples. Isso,
levado em conta apenas o One More Light. Porém,
os gritos contra seus próprios demônios sempre estiveram presentes em todos os
álbuns do Linkin Park. Desde o Hybrid
Theory, até o atual OML. De One Step Closer à Battle Symphony.
Hoje o que o mundo tem a oferecer
para você, Chester, é que sua música seja eternamente propagada. Seu legado
seja para sempre lembrado. Que sua força, seu amor, sua coragem seja
disseminada, para que você sempre possa ajudar as milhares de pessoas que
buscam ajuda na sua voz.
“I dreamed I was missing, you were so scared.
But no one would listen, ‘cause no one else
cared.
After my dreaming, I woke with this fear: what
am I leaving, when I’m done here?”.
(Leave Out All The Rest)
E hoje, te respondendo Chaz, te
digo que o mundo continua assustado, que ainda sente a sua falta. E que sim,
todos se importam, e muitos possuem um novo buraco no coração. E o que você
deixou para trás? Um legado incrível, músicas que marcaram várias gerações, de
maneiras tão distintas que é incrível ver isso vindo de apenas uma banda.
Obrigada, de todo meu coração,
que ainda está quebrado e sentindo sua falta, mas lembrando de você, da sua simplicidade,
do seu sorriso e principalmente, na sua fé, na sua esperança (“we sawy brilliance, when the world was
asleep” – One More Light – e sim, é assim que eu vejo a minha relação com
vocês). Obrigada por ter sido minha voz em mais de um momento. Obrigada por
todos os bons momentos que graças a você e ao Linkin Park que foram
proporcionados. Obrigada por unir (ainda mais) pessoas tão maravilhosas, de
lugares tão distantes. Obrigada por jamais ter desistido da música e ter
batalhado sem descanso para chegar onde chegou.
“Who
cares if one more light goes out in the sky of a million stars?” Eu
te respondo com todo o meu coração, eu me importo e sempre vou me importar. Sempre
vou me lembrar de uma das pessoas que foi tão essencial para que a minha paixão
pela música fosse tão incandescente e em alguns momentos irracional.
Forever missed, but
never forgotten.
“THE SOUND OF YOUR
VOICE, PAINTED ON MY MEMORIES. EVEN IF YOU’RE NOT WITH ME, I’M WITH YOU” (With
You).